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Shavuot — A FESTA DAS SEMANAS


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Shavuot, A FESTA DAS SEMANAS

SHAVUOT, a Festa das Semanas, é também conhecida como PENTECOSTES, um termo grego que significa «quinquagésimo» [ou seja, o 50.º dia da contagem do Omer, conforme descrito em Levítico 23,15–16].

 

Shavuot, celebrado no dia 6 de Sivan, é uma das três «festas de peregrinação» judaicas. Também chamado de Hag HaShavuot [חג שבועות], cuja tradução literal é «Festa das Semanas»], Shavuot tem raízes agrícolas nos «primeiros frutos» da colheita tardia e, na espiritualidade pós-Templo, ligações espirituais com entrega da Torá no Monte Sinai. Shavuot é frequentemente chamado de Hag Matan Torateinu (A Festa da Entrega da Nossa Torá).

Embora Shavuot tenha ligações com a colheita, é, ao mesmo tempo, uma festa que sempre incorporou uma espiritualidade de «encontro». Tal como nas três festas de peregrinação, este encontro era um evento em que todas as pessoas que pudessem estavam obrigadas a participar. Este encontro divino da pessoa [nefesh|alma] e da comunidade de Israel com o SENHOR ocorria no altar do Templo em Jerusalém e, na espiritualidade rabínica posterior, no estudo e na exegese das Escrituras.

Embora o ato físico de regressar ao Templo apenas sete semanas após a Páscoa, e após uma maratona de «contagem dos dias» que culminou na oferta das primícias da colheita do trigo, a importância do encontro espiritual com o SENHOR só se concretiza plenamente na transformação posterior de Shavuot pelos rabinos (após a perda do Templo) numa festa que liga o Êxodo do Egito (Pesach/A Páscoa) com a «Dom da Torá» no Sinai.

Sinai e Shavuot
Na interpretação judaica, o objetivo e a consumação do Êxodo de Mitzrayim [o Egito bíblico] foi a Aliança do Sinai — a Entrega da Torá. A redenção culmina na Torá. Shavuot, vivido como z’man matan torateinu [o Tempo da Entrega da Torá] (BT. Pesachim 68b), não é celebrado como um acontecimento histórico, mas como algo que permanece continuamente vivo. Deuteronómio (11,13) ensina: «se obedecerdes aos mandamentos hayom (neste dia)....» «Neste dia», ensina o Sifre, significa que recebemos os mandamentos [a Torá] hoje como se os estivéssemos recebendo pela primeira vez. Assim, embora Shavuot seja uma celebração do encontro no Sinai, continua a ser uma lembrança permanente de um encontro que ocorre diariamente na nossa interação com a Torá e na forma como a vivemos nas nossas vidas. O encontro com a palavra de Deus, através das Escrituras, está também associado, na tradição judaica, à Avodah Halev (Serviço do Coração).

A ESCRITURA E A PRESENÇA DIVINA
Um antigo midrash relata que o Rabino Eliezer e o Rabino Joshua se sentaram e estudaram a Torá, passando do Pentateuco, para os Profetas, para as Escrituras,  e, ao fazê-lo, as palavras ganharam vida como no dia em que foram entregues no Sinai, e o fogo brincava à sua volta, tal como elas [as palavras da Torá] foram originalmente entregues no Sinai em fogo (Ruth Rabbah 6:4). O Serviço do Coração, aqui concretizado na exegese das escrituras, é vivenciado visualmente (segundo contaram outros) e espiritualmente pelo fogo da presença divina.

SHAVUOT É TAMBÉM CONHECIDO COMO ATZERET
Atzeret é um termo cuja raiz hebraica significa «armazenar» ou «permanecer». Atzeret é utilizado na Bíblia em referência a Shemini Atzeret (Nm. 29, 35), onde o significado no contexto é «permanece comigo mais um dia». O apelo para «permanecer comigo» é recordado em Shavuot e celebrado como um convite ao estudo da Torá.

Tikkun Leil Shavuot —the practice of staying up all night at Shavuot to study Torah is an expression of “remain with Me”. This is a practice developed by the mystics in the kabbalistic tradition of the 16th Century.

SHAVUOT E O PENTECOSTES CRISTÃO

O cristianismo, surgindo de suas bases espirituais judaicas, recorre às suas raízes no judaísmo para expressar suas compreensões. É na experiência inicial de Pentecostes da Igreja que começa a emergir uma compreensão cristã da divindade de Jesus e de sua presença na Igreja. Essa compreensão é comunicada por meio do Espírito Santo, experimentado em Pentecostes como “línguas de fogo” (Atos 2,3) e, em outros momentos, como “um ardor interior” (Lc 24,27-32); uma compreensão enraizada na tradição, nas Escrituras e no ensinamento de Jesus, conforme entendidos pelos discípulos.

Word and Spirit Candle and Torah

Passover and Redemption
Na tradição judaica, o período entre Pessach e Shavuot passou a representar o tempo entre a redenção do Egito e a Aliança no Sinai [na entrega da Torá], por meio da qual Israel se aproxima de Deus. Uma relação semelhante existe na espiritualidade cristã — em Pentecostes, a Igreja nasce para uma nova relação com Deus, centrada no Cristo ressuscitado e na presença do seu Espírito na comunidade.

A leitura do Novo Testamento para Pentecostes, em Atos (2,1-11), relata que o Espírito Santo foi experimentado pela comunidade reunida como “fogo”. O Evangelho de Lucas também descreve a experiência física da presença divina quando a explicação das Escrituras feita por Jesus — “do Pentateuco aos Profetas” — foi o catalisador para que “seus corações ardessem” (Lc 24,27.32).

Em Pentecostes, eles estavam reunidos, “e de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceram então línguas como de fogo, que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo...” (Atos 2,2-4).

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    Tradução por, Maria Cecilia Piccoli, Brasil    
         
   

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