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SHAVUOT E O PENTECOSTES CRISTÃO
SHAVUOT, a Festa das Semanas, também é conhecida como PENTECOSTES, um termo grego que significa “quinquagésimo” [ou seja, o 50º dia da contagem do Ômer, conforme descrito em Lv. 23,15-16]. Shavuot, celebrado no dia 6 de Sivan, é uma das três festas judaicas de peregrinação. Tem raízes agrícolas nos “primeiros frutos” da colheita tardia e, na espiritualidade pós-Templo, está espiritualmente ligado à entrega da Torá no Monte Sinai.
O cristianismo, surgindo de suas bases espirituais judaicas, recorre às suas raízes no judaísmo para expressar suas compreensões. É na experiência inicial de Pentecostes da Igreja que começa a emergir uma compreensão cristã da divindade de Jesus e de sua presença na Igreja. Essa compreensão é comunicada por meio do Espírito Santo, experimentado em Pentecostes como “línguas de fogo” (Atos 2,3) e, em outros momentos, como “um ardor interior” (Lc 24,27- 32); uma compreensão enraizada na tradição, nas Escrituras e no ensinamento de Jesus, conforme entendidos pelos discípulos.
PÁSCOA E REDENÇÃO
Na tradição judaica, o período entre Pessach e Shavuot passou a representar o tempo entre a redenção do Egito e a Aliança no Sinai [na entrega da Torá], por meio da qual Israel se aproxima de Deus. Uma relação semelhante existe na espiritualidade cristã — em Pentecostes, a Igreja nasce para uma nova relação com Deus, centrada no Cristo ressuscitado e na presença do seu Espírito na comunidade.
DA RESSURREIÇÃO DE JESUS AO PENTECOSTES
O quinquagésimo dia após a Ressurreição de Jesus (no Domingo de Páscoa), Pentecostes recorda a manifestação do Espírito na comunidade dos seus discípulos e celebra a presença contínua do Espírito de Deus na Igreja.
Os cinquenta dias entre a Ressurreição pascal e Pentecostes são celebrados como uma única festa, ou um GRANDE Domingo — dias, acima de todos os outros, para cantar ALELUIA (Papa Paulo VI, 1969).
A leitura do Novo Testamento para Pentecostes, em Atos (2,1-11), relata que o Espírito Santo foi experimentado pela comunidade reunida como “fogo”. O Evangelho de Lucas também descreve a experiência física da presença divina quando a explicação das Escrituras feita por Jesus — “do Pentateuco aos Profetas” — foi o catalisador para que “seus corações ardessem” (Lc 24,27, 32).
Em Pentecostes, eles estavam reunidos,
“e de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceram então línguas como de fogo, que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo...” (Atos 2,2-4).
FOGO E EXEGESE
A presença ou manifestação do SENHOR na tradição judaica é frequentemente associada à aparência física do fogo. O encontro entre Moisés e o SENHOR no Sinai é descrito várias vezes em termos de fogo e fumaça (por exemplo, Ex. 19,18). Em Êxodo (24,16-17), lemos: “A glória do Senhor repousou sobre o Monte Sinai, e a nuvem o cobriu… a aparência da glória do Senhor era como um fogo devorador no topo da montanha, aos olhos dos filhos de Israel.”
Os encontros entre o SENHOR e Moisés na Ohel Moed (Tenda da Reunião), quando “a coluna de nuvem descia... e o SENHOR falava com Moisés” (Ex. 33,9); e mais tarde, na nuvem e na Glória do SENHOR que repousava sobre a Ohel Moed e enchia o Mishkhan (Morada/Tabernáculo), visível a todos [como nuvem durante o dia e fogo à noite (Ex. 40,34)], são expressões visuais da fé de Israel na presença divina (Shekhinah) e manifestações da alegria associada à aceitação da Aliança do Sinai por Israel.
FOGO e ALEGRIA são expressões bíblicas e rabínicas de realidades teológicas que se manifestam no encontro com o SENHOR e na experiência de viver (cumprir) a Torá — elas expressam a percepção e a manifestação pública desse encontro divino-humano vivido pela comunidade. O comentário rabínico também deixa claro que o “fogo e a alegria” da Torá constituem uma experiência completa derivada da exegese da Torá, tanto da Torá ESCRITA — que inclui o Pentateuco, os Profetas e os Escritos — quanto da Torá ORAL. A experiência do fogo confirma que a Torá oral faz parte da Torá COMPLETA, pois “manifesta a unidade e a divindade de toda a Torá, completa e perfeita” (Avril & Lenhardt, 2002).
O PENTECOSTES cristão recorda a manifestação do Espírito na comunidade dos discípulos e celebra a presença contínua do Espírito de Deus na Igreja. De modo semelhante, embora Shavuot tenha vínculos com a colheita, é também uma festa que sempre incorporou uma espiritualidade de “encontro”. A importância desse encontro espiritual com o SENHOR só é plenamente compreendida na transformação posterior de Shavuot pelos rabinos (após a destruição do Templo), tornando-se uma festa que liga o Êxodo do Egito (Pessach) ao Dom da Torá no Sinai.
SIMCHÁ SHEL TORÁ—A ALEGRIA DA TORÁ
A presença divina experimentada na Torá é chamada Simchah shel Torah (A Alegria da Torá), que tem suas raízes na alegria do Sinai: a alegria da redenção e da promessa, a alegria da revelação e a alegria dos mandamentos. Em Simchah shel Torah encontram-se a Verdade, a Unidade e a Compreensão.
LÍNGUAS COMO DE FOGO
Uma reflexão sobre a compreensão judaica da Alegria da Torá, vivida na exegese e na prática dos mandamentos, ajuda-nos a entender a experiência dos discípulos em Pentecostes, em Jerusalém, após a ressurreição. Eles já haviam sido conduzidos por Jesus, por meio da exegese no caminho (Emaús, Lc. 24,27) e novamente em Jerusalém com os discípulos (Lc. 24,45), a perceber a unidade da Torá e sua capacidade de dar sentido às suas experiências.
Na Torá completa, que remete à experiência do Sinai — da redenção à glória, do sofrimento à libertação — e aponta também para uma redenção futura, os discípulos encontram os ensinamentos que os ajudam a compreender a promessa e o propósito revelados no sofrimento e na morte de Jesus. Com essa nova compreensão — de que, em Jesus, toda pessoa pode passar do sofrimento à glória futura — surge a Igreja.
A imagem do fogo, que acompanha esse entendimento e a vinda do Espírito Santo (Atos 2,1-11), reflete a Alegria Divina que brota de uma profunda busca nas Escrituras e da presença do Espírito de Jesus ressuscitado.
References.
Avril, A., & Lenhardt, P. Three Roads: Emmaus, Gaza and Damascus, (2002) não publicado.
Schechter, S., Aspects of Rabbinic Theology, Woodstock, Jewish Lights, 1993.
Etz Hayim—“Tree of Life” © 2010
Resources for Christian-Jewish relations and dialogue, and a joint biblical, spiritual
and liturgical self-consciousness and cooperation.
www.etz-hayim.com
Editorial material prepared by Elizabeth Young, 2010